segunda-feira, 5 de maio de 2008

O que as mulheres querem?


- Alô?
- Oi, sou eu. Vai fazer o que hoje?
- Nada... Por que?
- Por nada...
- Ah, tá...
- Poxa, a gente podia...
- Não ! A gente não podia nada! Eu ainda não te perdoei!
- Mas...
- Mas, nada ! O que você fez foi de muito mal gosto! Me deixou deprimida! E além do mais, tenho muita coisa pra fazer!
- Mas, você disse que...
- Eu sei muito bem o que disse! Preciso ir! Tchau!
- Peraí, eu...
E assim foi. Ela desligou o telefone e nem deu uma chance pra ele se desculpar. Aliás, aquela era a maneira que ele tinha de pedir desculpas. Quando fazia algo errado, sempre a convidava pra sair para os melhores lugares e, ela sempre aceitava. Dessa vez, era diferente.
Alguém bate na porta.
- Pois não?
- A dona Marina está?
- Sou eu.
- Entrega pra senhora.
- Ah, obrigada. Só um instante, deixe-me ver de quem é.
Abriu o pacote. Era um lindíssimo conjunto com um par de brincos e um colar de rubis. Havia também um cartão com um pedido de desculpas dele. Mandou devolver.
- Se você pensa que pode me comprar, está muito enganado. Não quero nada seu! Já disse que o que você fez, não tem perdão! Passei a maior vergonha na frente das minhas amigas! Agora elas sabem que eu namorava um grosseirão-insensível!
Bateu o telefone na cara dele com toda força. Sem perder as esperanças, ele tenta novamente.
- Alô?
- Dona Marina?
- Sim, sou eu. Em que posso ajudar?
- Aguarde um momento por favor.
Nesse instante, entra uma tele mensagem com a música que tocou no dia em que se conheceram. Ela até que se sentiu emocionada por saber que ele ainda se lembrava, mas não deu o braço a torcer.
- Alô?
- “Iscutaqui”, não me liga mais, me esquece! Aquela foi a pior mensagem que eu já recebi na vida!
-Mas, eu achei que...
- Pois achou errado! Adeus!
Mais uma vez, telefone na cara. Se ela era durona, por outro lado, ele também o era! Não desistiu. Durante uma semana, mandou tudo o que ele achava que poderia agradá-la, porém, sem sucesso. Recorreu à ajuda da sogra, que o achava o genro perfeito.
- Você já pediu desculpas?
- Já! Já fiz de tudo! Minhas idéias se esgotaram e nada de me perdoar...
- Ah, Marina é assim mesmo! Depois passa. Você já mandou flores?
- Mandei e ela recusou.
- Que tipo de flores eram?
- Rosas vermelhas. Mandei um buquê enorme, com o melhor arranjo da loja. E ainda tinha um cartão muito bonito, no qual escrevi um poema. Só que ela nem me deu bola...
- Aí está o problema! Marina não gosta de buquês. Ela diz que as flores morrem rápido demais e, com isso, o amor também. Entregue as flores você mesmo e, desta vez, num vaso!
- Será que dessa vez ela me perdoa?
- Perdoa sim, tenho certeza!
E lá foi ele: vaso numa mão, poema na outra e um coração cheio de expectativa.
- O que você tá fazendo aqui? Já te disse que não quero mais te ver!
- Só que eu ainda não me dei por vencido. Te trouxe essas rosas... Eu as preferi num vaso pra que não morressem... Também te trouxe um poema, eu mesmo escrevi. Bom, era só isso. Tchau...
Não sabia o motivo, mas virou as costas e foi embora. No fundo, sabia que um pouco de desprezo era necessário para que ela finalmente o perdoasse. No dia seguinte...
- Alô?
- Guto... Tô com saudade...
- Ah, Nina! Eu também, você não sabe o quanto! Me perdoa, eu te amo! Desculpe por não abrir a porta do carro pra você, prometo que nunca mais te faço passar vergonha na frente das suas amigas!
- Ah, amor! Também te amo e prometo que nunca mais vou te tratar mal! Agora, elas me invejam: mostrei as rosas e o poema que você me deu! Ai, você é tão fofo...
Não preciso dizer o que aconteceu depois, né?! Fizeram as pazes e comemoraram com a melhor das transas. Tudo estava maravilhosamente bem, até que...
- Droga, Guto!!! O que as minhas amigas vão pensar?! Com você abrindo a porta do carro pra mim desse jeito, vão achar que eu não sou uma mulher moderna e independente!!!
Depois disso, Guto, que odiava ser chamado assim, deixou a Marina falando sozinha. Foi curtir com os amigos e com a Claudinha, que o chamava de Augusto, mas isso já é outra história...
Alguém consegue entender as mulheres? Porque ás vezes, nem eu mesma consigo entender.

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